No palco, um francês qualquer, provavelmente vindo de qualquer lugar menos da França, cantava uma música triste, lenta, amarga de se ouvir, e ainda assim, ao mesmo tempo tão íntima e cativante.
Perto do palco, sozinha em uma mesa, estava uma mulher, de pernas cruzadas e com uma cigarrilha entre os dedos, a ouvir a chorosa melodia que o francês cantava. Sua coluna estava ereta e sua postura era impecável, tal qual a postura de uma verdadeira dama deve ser. Soltava a fumaça em suaves baforadas, de forma tão singela que a fumaça parecia bailar ao ar.
Um homem sentou-se em uma mesa ao lado daquela mulher. Observou seu rosto e viu que ela olhava tristemente para o chão, como se todo o salão à sua volta fosse indiferente a seu sofrer.
A moça usava um vestido justo reluzente, de cetim ou de outro material qualquer. O tecido passeava com delicadeza por suas curvas, e a abertura na altura do joelho deixava entrever uma parte da perna esquerda que daquele ângulo, deixava aparecer uma parte da coxa também.
Quem a teria largado ali?, jogada como uma guimba de cigarro pela janela de um carro. Ou talvez, quem a teria deixado esperando por todo esse tempo? Quem a disse palavras apaixonantes ao ouvido e a fez acreditar em um futuro que nunca aconteceria?
A música parecia enternecer a mulher, e seu espírito parecia bailar ao som choroso da voz do cantor. Ela se completava em sua solidão, e sua tristeza parecia ser sua única e necessária companhia. Como se talvez não existisse espaço para ela no mundo que a cercava.
O homem se virou para o copo à sua frente e passou a observá-lo com olhos mortos. Sua mente já divagava em outro lugar, estava além daquele momento. Seus pensamentos transcendiam tudo o que havia de real e seu corolário era aquele ar de desconsolo que todos fazem quando finalmente entregam os pontos. Onde aquele homem estivera? Será que trabalhou a noite inteira, esperando por um momento de paz quando chegasse em casa, e tendo adentrado o lar terá encontrado apenas mais aborrecimentos? Ou talvez será apenas mais um desses bêbados quaisquer que vagam por aí.
O francês pediu uma pausa, e deixou a banda tocando, para puxar uma mulher para dançar. Todos os olhares se viraram para o casal no meio do salão. O bêbado continuou a olhar seu copo, mesmo quando o francês deu uma pirueta e em seguida distribuiu sorrisos, como se convidando as pessoas a também dançarem, mesmo assim o bêbado não virou o rosto. E mesmo assim, as pessoas ficaram nos seus lugares, e o francês voltou para o microfone.
Vendo o francês dançar com uma desconhecida, a mulher pensou naquele que seria o amor de sua vida, o único, o “ele e ninguém mais”. Alguém, a quem ela se dedicaria perdidamente. Alguém que a respeitasse, alguém que a adorasse, e fizesse dela a mulher mais desejada do mundo, melhor!, do universo. Mesmo que esse alguém fosse qualquer um.
E aquele cidadão ao lado, com cara de cansado, com cara de quem morreu e ainda não ficou sabendo, só queria alguém para lhe fazer uma massagem quando ele chegasse em casa. Se soubesse cozinhar e cuidar de um lar, tanto melhor, ele a respeitaria, adorá-la-ia, e a faria se sentir a mulher mais bem protegida do mundo, talvez do universo. Mesmo que ela não fosse um exemplo de simpatia, ainda que ela fosse qualquer uma.
Os dois continuaram ali, daquele jeito, por toda a noite. Quando o show acabou, o francês, que nem era da França, apenas olhou para os dois, daquele jeito que esses falsos franceses costumam olhar, e em seguida saiu reclamando que não existia mais romance no mundo, que as pessoas não se arriscavam, e que não dava para trabalhar daquele jeito...
Perto do palco, sozinha em uma mesa, estava uma mulher, de pernas cruzadas e com uma cigarrilha entre os dedos, a ouvir a chorosa melodia que o francês cantava. Sua coluna estava ereta e sua postura era impecável, tal qual a postura de uma verdadeira dama deve ser. Soltava a fumaça em suaves baforadas, de forma tão singela que a fumaça parecia bailar ao ar.
Um homem sentou-se em uma mesa ao lado daquela mulher. Observou seu rosto e viu que ela olhava tristemente para o chão, como se todo o salão à sua volta fosse indiferente a seu sofrer.
A moça usava um vestido justo reluzente, de cetim ou de outro material qualquer. O tecido passeava com delicadeza por suas curvas, e a abertura na altura do joelho deixava entrever uma parte da perna esquerda que daquele ângulo, deixava aparecer uma parte da coxa também.
Quem a teria largado ali?, jogada como uma guimba de cigarro pela janela de um carro. Ou talvez, quem a teria deixado esperando por todo esse tempo? Quem a disse palavras apaixonantes ao ouvido e a fez acreditar em um futuro que nunca aconteceria?
A música parecia enternecer a mulher, e seu espírito parecia bailar ao som choroso da voz do cantor. Ela se completava em sua solidão, e sua tristeza parecia ser sua única e necessária companhia. Como se talvez não existisse espaço para ela no mundo que a cercava.
O homem se virou para o copo à sua frente e passou a observá-lo com olhos mortos. Sua mente já divagava em outro lugar, estava além daquele momento. Seus pensamentos transcendiam tudo o que havia de real e seu corolário era aquele ar de desconsolo que todos fazem quando finalmente entregam os pontos. Onde aquele homem estivera? Será que trabalhou a noite inteira, esperando por um momento de paz quando chegasse em casa, e tendo adentrado o lar terá encontrado apenas mais aborrecimentos? Ou talvez será apenas mais um desses bêbados quaisquer que vagam por aí.
O francês pediu uma pausa, e deixou a banda tocando, para puxar uma mulher para dançar. Todos os olhares se viraram para o casal no meio do salão. O bêbado continuou a olhar seu copo, mesmo quando o francês deu uma pirueta e em seguida distribuiu sorrisos, como se convidando as pessoas a também dançarem, mesmo assim o bêbado não virou o rosto. E mesmo assim, as pessoas ficaram nos seus lugares, e o francês voltou para o microfone.
Vendo o francês dançar com uma desconhecida, a mulher pensou naquele que seria o amor de sua vida, o único, o “ele e ninguém mais”. Alguém, a quem ela se dedicaria perdidamente. Alguém que a respeitasse, alguém que a adorasse, e fizesse dela a mulher mais desejada do mundo, melhor!, do universo. Mesmo que esse alguém fosse qualquer um.
E aquele cidadão ao lado, com cara de cansado, com cara de quem morreu e ainda não ficou sabendo, só queria alguém para lhe fazer uma massagem quando ele chegasse em casa. Se soubesse cozinhar e cuidar de um lar, tanto melhor, ele a respeitaria, adorá-la-ia, e a faria se sentir a mulher mais bem protegida do mundo, talvez do universo. Mesmo que ela não fosse um exemplo de simpatia, ainda que ela fosse qualquer uma.
Os dois continuaram ali, daquele jeito, por toda a noite. Quando o show acabou, o francês, que nem era da França, apenas olhou para os dois, daquele jeito que esses falsos franceses costumam olhar, e em seguida saiu reclamando que não existia mais romance no mundo, que as pessoas não se arriscavam, e que não dava para trabalhar daquele jeito...
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