Tuesday, March 17, 2009

Saudade

Saudade, sentimento estranho,
palavra sem sinônimo em qualquer
outro canto do mundo. Saudade,
tão solitária, quanto tua função.
É uma palavra sem amigos.

Saudade, cujo apanágio é o querer
de novo. Sentir saudade é querer
voltar no tempo. Toda saudade tem
um quê de ficção científica.

Saudade, sentimento único,
sentimento sem caminho, sem
ida nem volta. É olhar no espelho
sem se ver. É andar parado.

Não é tão simples quanto enxergar
o copo metade cheio, ou metade
vazio. A verdade, é que a saudade
não mata, mas também
não fortalece.

Saudade, sentimento de mão única,
que vigor trará? Se ao menos o tempo
voltasse... Ou se talvez, quem sabe,
o mundo girasse um pouquinho mais
devagar...

Mas a vida não é um carrossel,
e sentir saudade do que não se
pode reaver é amarrar uma âncora
aos pés e se lançar revoltoso ao
mar revolto.

As circunstâncias de nossas vidas,
às vezes nos forçam a colocar certas
pessoas nesse campo neutro,
sem ação, nem reação, em que
eventualmente todos são colocados.

Sentir saudade a essa hora da
madrugada é inútil. Querer pular
do décimo sexto andar, querer
sentir o vento cortando seu rosto
enquanto encara o chão vindo em
sua direção, também.

Vá dormir. Amanhã a gente se fala. – Disse ele.
Rodolfo, conversa comigo até eu pegar no sono? – Pediu ela com carinho – Depois você desliga.

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