Vozes, vozerios, vozeirões.
Os gritos, como navalha,
cortam o ar,
cortam a mente,
cortam o pensamento.
Vozes, vozerios, vozeirões.
Vozes a todo instante,
a todo momento.
Gritos de socorro,
pedidos de desculpas,
lamentos, xingamentos,
a todo instante,
a todo momento.
Conselhos que não foram requisitados.
Ordens que não deveriam ter sido expedidas.
Mandamentos, mandamentos, a todo o momento.
A palavra é a pedra que se atirou ao lago,
é o fósforo queimado, é a flecha lançada.
Um barulho frenético se instalou por sobre
a cidade. E o murmúrio da amante ao ouvido
do amado ecoa até o céu. Éu, éu, éu...
É tudo éu.
Vozes, vozerios, vozeirões.
A língua é a espada com que o homem
moderno digladia com seus inimigos.
Um fogo cruzado se instala, e eu,
que nada tenho com isso, saio de vítima.
Ah! Que lugar bom o mundo seria
se as pessoas apenas falassem do
que soubessem.O que me mata não
é o tempo, são os pitacos impróprios.
Wednesday, March 25, 2009
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